sábado, março 18, 2006
Sono
Hoje não quero ser encontrada. Já tirei o telefone e o interfone dos respectivos ganchos, desliguei o celular, tomei um bom banho, Jack Johnson no último volume no mp3. Quero dormir o dia inteiro. Não é que eu esteja cansada assim. Meu objetivo é fugir dos pensamentos.
Sei que irão me questionar sobre esse assunto ao qual me resigno a refletir. Não quero que passe pela minha cabeça de forma nenhuma. Dormir para não ser obrigada a perceber nada que não me agrade. Acho que não deve ser muito politicamente correto, mas dane-se. Só isso. Incomunicável. Se tivesse um botãozinho on/off, esse seria um momento ideal para usa-lo, se querem saber.
Não se preocupem comigo. Geralmente, na Terra dos Sonhos, as coisas estão ao meu contento. Além do mais, vou dormir tanto hoje que nem vou lembrar do que sonhei depois. Lá, não preciso esconder meus sentimentos nem minhas reações, não é preciso auto-controle. Lá, podemos ser só você e eu; ou eu e todos. Lá, posso me livrar de um pesadelo simplesmente acordando e me dando conta de que nada foi real. Lá, quando adormecer novamente, posso ter o mais feliz dos sonhos.
Hoje, desejo minha morfina. Alguns soníferos farão um bom trabalho. Ficarei entorpecida até que a poeira baixe e as coisas fiquem tranqüilas. Não quero entrar nessas confusões. Onde estão os comprimidos?
Luz apagada, persianas fechadas, temperatura agradável para ficar embaixo das cobertas. As lembranças vão se esmaecendo... Tudo é escuridão agora. Rumando a esse infinito, o racional não se faz necessário.
sábado, janeiro 28, 2006
Crescendo e (?) aprendendo
Quando era mais nova, com seus 7, 8 anos, fazia inúmeras atividades. Seu motorista a levava ao colégio, ao balé, ao inglês, à natação, ao tênis... Era uma tentativa de fazê-la uma menina interessante. Tsc, tsc...
Na adolescência, já tinha ido à Disney três vezes e suas roupas possuíam etiquetas caras e famosas. Fazia reuniões privê para suas amigas onde riam do jeito desengonçado daquela menina estranha da mesma classe e, por que não, cheirar um pouco de lança.
Passou numa faculdade particular e pôde finalmente dirigir o carro caro reservado para ela, mas não dispensou o motorista. Insistia em carregar aquele seu cachorrinho de olhos esbugalhados que mais parecia um rato na bolsa cara. Ganhou a noite nos camarotes nas boates da moda para cujas inaugurações, é claro, tinha sido convidada. Algumas pílulas de êxtase garantiriam o fôlego para a noite inteira. Reunia-se nos apartamentos dos mais independentes para orgias alternadas com carreirinhas alinhadas com o cartão de crédito ouro.
Formou-se no mesmo curso de seus pais. Emprego garantido com a vantagem de herdar-lhes a clientela. Casou-se numa barulhenta festa com um rapaz que garantiria seu status. Quando sua primogênita completou 7 anos, contratou um motorista para leva-la ao colégio, ao balé, ao inglês, à natação, ao tênis...
quinta-feira, janeiro 05, 2006
Noites de Janeiro
Eu odeio as noites de Janeiro, porque, na minha insônia, elas me fazem lembrar de você. Acordada, mirando o teto no escuro; é assim que passo horas lembrando... Imploro ao sono para que venha logo, o que nunca acontece.
A luz que passa por baixo da porta se apaga, sinal de que todos em casa já foram dormir. Vou até a cozinha e encontro os soníferos da minha mãe, uma boa saída para essa situação. Será que me fazem mal? Provavelmente não; mas você não valeria o risco... Volto ao quarto inconformada com a minha sina certa esta noite, meio irritada até. Se ao menos houvesse um meio de adormecer e te fazer voltar só em meus sonhos, onde tudo continua a meu contento. Mas eu também não me lembro de ter sonhado ultimamente. Portanto, não faz diferença.
Volto à cozinha e tomo um copo de leite morno, a receita que minha mãe fazia quando eu era mais nova. Nunca funcionou, mas quem sabe psicologicamente... Errado! Viro-me mais algumas vezes na cama, minha irmã resmunga alguma coisa sonolenta. Mostro o dedo médio para ela na escuridão que não a deixa ver o gesto obsceno, graças a Deus.
Recomeço a vagar pela casa escura. Olho o relógio: quase duas da madrugada. E hoje nem teve o programa do Jô... Tsc, tsc... Continuo a pensar em você e perco novamente meu sono concentrada em fantasias. Estou ficando com nojo de você. E se eu ligar para resolver logo tudo de uma vez? Por Cristo! É claro que você está dormindo como todas as pessoas normais que gastam suas quotas diárias de energia!!! Além do mais, você iria me enrolar mais uma vez, dizer algumas meias palavras e tudo ficaria na mesma. Grrrrrr... Fico realmente brava comigo mesma.
Sento-me então, e me ponho a escrever sobre você para passar o tempo até amanhecer. Quem sabe, daqui a alguns dias, eu possa sair dessa cidade.
sexta-feira, dezembro 30, 2005
Promessas de uma pseudo-psicopata
Caso eu fosse psicanalista, me interessaria profundamente pelo meu caso, sempre me prendendo as minhas expectativas. Qual seria o nome da doença? Utopismo agudo? Realidadefobia?
Ou talvez eu tenha desenvolvido uma variedade raríssima de esquizofrenia, na qual me obrigo a viver nas minhas alucinações, todo um mundo por mim criado. Sei que estou insistindo no mesmo ponto em tudo o que faço. Mas talvez obsessão também seja um dos sintomas.
Eu não quero rastejar nem parecer parada num momento. Almejo o futuro como à minha felicidade. Porém, não posso deixar de temer o que me aguarda. Ah! É um novo ano, tudo vai mudar! Quem me dera que as coisas mudassem das 11h59min para a meia-noite! Encararei esse minuto de diferença então como um incentivo a mudança, se é que é preciso mais algum. Nossa, que drama! Mas não foi assim que vim falando nas últimas linhas? Tsc, tsc...
Freud, Sigmund. Deveria comprar um pôster dele e colocar do modo mais visível no meu quarto. Talvez ele me entendesse e colocasse a culpa nos meus pais ou na professora do Jardim II. É legal colocar a culpa em alguém...
Muito bem então. Vamos nos submeter às superstições da nossa sociedade controversa e fazer da virada uma guinada na minha vida. Como primeira promessa para início de ano, vou tomar meus comprimidos e voltar à realidade.
terça-feira, dezembro 27, 2005
Liberdade
Queria sair dali, mas sabia que era difícil. Todos olhavam ansiosos para ela, tentando descobrir seu próximo ato. Esperavam algo grandioso. Sentia-se em exposição numa jaula.
Seus olhos correram rápido pelo grande espaço apinhado de pessoas, a maioria desconhecida. Chegaram a ficar úmidos de lágrimas, mas ela segurou o choro. Não era aquilo que a faria mostrar seu verdadeiros sentimentos, aqueles espectadores ridiculamente interessados não mereciam vê-los puros.
Levantou-se de um só salto. Pensou em voar. Entretanto, suas asas haviam sido maculadas pela ganância de uma daquelas pessoas. então gritou o mais alto que pôde. A platéia calou-se. Rapidamente, caminhava e empurrava quem estava em seu caminho.
Saiu dali aos trancos e barrancos. Respirou aliviada e chorou as lágrimas presas. Agora podia sentir. Sem pressão.
quinta-feira, dezembro 22, 2005
Apresentação
Espírito natalino é uma porcaria mesmo. Todo mundo unido e feliz, aquele clima de fraternidade no ar. Aí, uma tresloucada diz: “Ah! Vamos fazer um blog!” e as outras tresloucadas concordam... A culpa é do Natal.
"Tá legal então. E o nome?"
"Bota utópicas. Tipo: a utopia de escrever."
E cá estamos nós, caros leitores.
Nosso blog trata especificamente de tudo para ser uma inesgotável fonte de besteiras. Na nossa insegurança de iniciantes, pedimos a sua compreensão para algumas merdinhas que vocês poderão encontrar. Na pior das hipóteses, nosso desconfiômetro vai nos avisar se não tivermos vocação para a coisa.
E, como já foi dito anteriormente, é Natal. Essa data de profundo significado compreendido mas não absorvido em que trocamos presentes, nos empanturramos de peru e panetone, trocamos presentes de amigo-oculto, assistimos especiais na TV e ouvimos musiquinhas irritantes.
De qualquer forma, se você curte essa época do ano em que há neve fake de espuma por todos os lados, a notícia a seguir será boa: o bom velhinho está abrindo concurso para quem quiser trabalhar em seu incrível sistema que garante o presente de tantas criancinhas.
Depois de passar pela prova, o candidato deve ser aprovado no exame físico. Então, sua vida será vasculhada desde a época em que você enviava cartinhas com “Querido Papai Noel...” até como você administra a sua ceia natalina nos dias atuais.
Comprovado que o interessado é capaz de encontrar uma localidade no mapa, carregar sacos de presentes e não é nenhum greench; ele estará apto a juntar-se aos filões organizados para a compra, catalogação e distribuição de presentes. Além de tudo isso, você também pode ser treinado na CIA para espionar criancinhas e certificar-se de que elas estão se comportando.O emprego é vitalício e os salários são a partir do equivalente a R$ 8.000,00.
Obrigada a Paulo pela inspiração.
Posted by
Elze Mila**
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